domingo, 19 de setembro de 2010

A loucura inata


De repente o riso, solto na garganta, querendo tomar espaço no ar...
De repente o nada, o vazio... Querendo preencher o próprio vazio no espaço...
Heis aí a volúpia do inconstante, o tudo ou o nada...
De repente a ira, sufocada entre os dentes reluzentes...
Esbranquiçada por entre o brilho do olhar maléfico...
E então o choro, o preso vindo à margem da insensatez, da verdade nua...
E de repente o surto, a loucura vinda de uma vez, solta, insípida...
E novamente o riso, agora amadurecido, transformado em gargalhada...
Independente, leve e ardente... Linda, intensa e tangível...
Tão proporcional e inesperadamente inatingível...
A loucura inata não nos deixa pensar nem agir...
Apenas, e tão somente apenas, a sentimos.


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